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Secretaria da Saúde orienta sobre prevenção da pré-eclâmpsia com uso de cálcio e ácido acetilsalicílico

As medidas visam reduzir riscos de complicações graves na gestação, como parto prematuro e morte materna

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Pessoa grávida vista de perfil, vestindo camiseta branca e calças cinza, segurando a barriga com as duas mãos. Ao fundo, uma janela revela um ambiente externo com plantas verdes e flores desfocadas.
Medidas visam reduzir riscos de complicações graves na gestação, como parto prematuro e morte materna - Foto: Freepik

A Secretaria da Saúde (SES) publicou, nesta sexta-feira (11/7), uma nota técnica com novas orientações voltadas à prevenção da pré-eclâmpsia, uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil. As recomendações incluem o uso diário de ácido acetilsalicílico (AAS) para gestantes com maior risco de desenvolver a condição e a suplementação de cálcio para todas elas, independentemente de fatores de risco.

As medidas são consideradas seguras, eficazes e de baixo custo, com potencial de reduzir significativamente as complicações na gestação. A prescrição deve ser feita por profissionais de saúde, conforme os critérios definidos na nota técnica.

Recomendações de uso

A suplementação com carbonato de cálcio está indicada para todas as gestantes a partir da 12ª semana de gestação até o parto. A dose recomendada é de 1 grama por dia, via oral, podendo ser dividida em dois comprimidos de 500 miligramas – um pela manhã e outro à noite.

Já para gestantes com alto risco de desenvolver pré-eclâmpsia, a SES orienta o uso diário de 100 miligramas de AAS (um comprimido à noite) a partir da 12ª semana, com preferência para início antes da 16ª semana e limite máximo até a 20ª semana. O tratamento deve ser mantido até a 36ª semana de gestação.

O que é a pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma condição que pode surgir durante a gravidez e está relacionada à pressão alta. Pode surgir apenas durante a gestação ou se somar a uma hipertensão já existente. Se não for tratada adequadamente, a pré-eclâmpsia representa riscos graves à saúde da mãe e do bebê, como convulsões, falência de órgãos, descolamento de placenta, parto prematuro e até morte materna e fetal.

Segundo dados do Boletim de Mortalidade Materna, Infantil e Fetal do RS, os transtornos hipertensivos da gestação e as hemorragias foram responsáveis por 43,9% das mortes maternas registradas em 2023 – ano mais recente com dados consolidados –, representando, no período, a principal causa de morte de mulheres durante a gestação ou até 42 dias após o parto.

Evidências e diretrizes

Estudos indicam que, em gestantes com alto risco, o uso precoce do AAS pode reduzir em até 80% os casos de pré-eclâmpsia antes da 34ª semana de gestação. A suplementação com cálcio, por sua vez, pode diminuir a incidência da doença em até 55%.

A recomendação da SES para o uso do carbonato de cálcio está de acordo com as diretrizes já adotadas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando a importância dessa estratégia preventiva.

A prescrição do suplemento de cálcio pode ser feita por médicos, enfermeiros e nutricionistas. Já o ácido acetilsalicílico deve ser prescrito por médicos ou enfermeiros da Atenção Primária à Saúde ou dos Ambulatórios de Gestação de Alto Risco, conforme protocolos vigentes.

A SES também alerta para a necessidade de cuidado com interações medicamentosas, especialmente entre o carbonato de cálcio e o sulfato ferroso, frequentemente usado no pré-natal. A recomendação é que sejam administrados com algumas horas de intervalo para garantir a eficácia e a absorção adequadas de ambos os suplementos.

As orientações completas e os critérios de risco estão disponíveis no Guia do Pré-natal e Puerpério na Atenção Primária à Saúde.

Esquemas (conforme prescrição de profissional de saúde)

Suplementação de Cálcio

Para quem? 
Todas as gestantes, independentemente de risco.

Como tomar? 
1 grama por dia de carbonato de cálcio, podendo ser dividido em 2 doses de 500 miligramas (manhã e noite).

Quando iniciar: a partir da 12ª semana de gestação.

Período: até o parto.

Efeito: reduz a incidência em 55% para gestantes com alto risco de desenvolver pré-eclâmpsia.

Atenção: o carbonato de cálcio e sulfato ferroso não podem ser administrados no mesmo horário. É preciso que se mantenha intervalo de algumas horas para garantir a absorção adequada de ambos os suplementos.

Uso de Ácido Acetilsalicílico (AAS)

Para quem?
Gestantes com um fator de risco alto ou, pelo menos, dois fatores de risco moderados.

Como tomar?
100 miligramas por dia, à noite.

Quando iniciar: a partir da 12ª semana (preferencialmente antes da 16ª até, no máximo, a 20ª).

Até quando: até a 36ª semana de gestação.

Efeito: iniciando antes da 16ª semana de gestação, reduz em 62% o risco de pré-eclâmpsia antes da 37ª semana e em 80% antes da 34ª para pessoas gestantes com alto risco.

Critérios de risco para indicação de AAS

Risco moderado 

  • Idade igual ou superior a 35 anos
  • Raça/cor negra
  • Nuliparidade (mulher que nunca teve filhos)
  • História familiar de pré-eclâmpsia (mãe e/ou irmã)
  • Intervalo maior que dez anos desde a última gestação
  • Gestação anterior com desfecho adverso (trabalho de parto pré-termo, descolamento prematuro de placenta, nascimento com menos 37 semanas gestacionais ou recém-nascido com peso entre baixo e moderado ao nascer)

Alto risco 

  • Hipertensão arterial crônica
  • Diabetes tipo 1 ou tipo 2
  • Doença renal
  • Doenças autoimunes (como lúpus, síndrome antifosfolípide ou artrite reumatoide)
  • Obesidade (índice de massa muscular igual ou superior a 30)
  • Histórico de pré-eclâmpsia anterior
  • Gestação múltipla
  • Pós-reprodução assistida
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