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RS registra 24 casos de raiva transmitida por morcegos em 2006

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A raiva transmitida por morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue dos mamíferos, está chamando a atenção das autoridades encarregadas de lidar com o problema. Em 2006, no Rio Grande do Sul, já foram identificados 12 focos de raiva bovina e eqüina transmitida por estes morcegos. Mas igualmente grave é que o outro morcego, que se alimenta de insetos, denominado insetívoro, que vive pricipalmente nas cidades, também está disseminando uma outra variante de vírus da Raiva. Neste ano, já diagnosticamos a ocorrência de 24 casos de raiva transmitida por morcegos hematófagos para eqüinos e bovinos, afirma o médico-veterinário Eduardo Caldas, coordenador do Programa Estadual de Profilaxias e Controle de Raiva, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, vinculado à Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS).

Segundo ele, a doença, Hidrofobia, é letal, havendo raríssimos casos de sobrevivência humana ou animal citados pela literatura especializada. Os casos de raiva transmitida por morcegos hematófagos para eqüinos e bovinos foram registrados, neste ano, na Encosta da Serra, Vale do Sinos, Região Central, e especificamente em alguns municípios como Gravataí, Novo Hamburgo, Maquiné, Taquara e Nova Petrópolis. Além disso, também ocorreu o registro da variante de vírus entre morcegos de telhado, ou insetívoros, em Montenegro, Pelotas, Caxias do Sul e também em Maquiné. Destes, houve 6 casos. Esse tipo de morcego não suga sangue, mas em decorrência da doença voa descontroladamente, com pouca coordenação motora, tornando-se presa fácil para cães e gatos, que podem vir, acidentalmente, a se contaminar. E aí está outro grande risco."

Eduardo explica que os sintomas de raiva em eqüinos e bovinos nem sempre denotam agressividade. Havendo a suspeita, convém contatar um veterinário, e, se for o caso, fazer o diagnóstico laboratorial.

A Secretaria Estadual da Agricultura recomenda a vacinação dos bovinos e eqüinos contra a raiva. A Secretaria Estadual da Saúde, juntamente com as prefeituras municipais, vem adotando o critério de bloqueio vacinal, que consiste na imunização de caninos e felinos no entorno de lugares em que a raiva foi diagnosticada, num raio de cobertura que varia de três a cinco quilômetros em volta do foco", explica Eduardo Caldas.

No Rio Grande do Sul, o último caso de Hidrofobia em humanos ocorreu em 1981. "Não há vírus canino circulando no Estado, mas a raiva dos morcegos pode ser transmitida para os humanos e animais, e isso nos deixa alertas. Não podemos nos esquecer que em 2004/2005 os morcegos hematófagos causaram 41 óbitos humanos, por raiva, primeiro na Pará e depois no Maranhão. No RS, não há circulação de vírus de Variante Canina em cães e gatos desde 1990, encontrando-se esta doença sob controle. Inclusive, nem existe a vacinação sistemática como há anos atrás. Mas o risco de retorno da doença em animais domésticos existe e temos de estar alertas devendo-se acompanhar sempre todos os casos animais com suspeitas de doenças com sintomas nervosos", adverte o veterinário.
Secretaria da Saúde