Primeiro encontro estadual reforça serviços de atenção domiciliar no RS
Número de equipes foi ampliado com novo incentivo do Estado para garantir mais conforto e qualidade aos pacientes
Publicação:
Para fortalecer os serviços de atenção domiciliar no Rio Grande do Sul, a Secretaria da Saúde (SES) promoveu nesta quarta-feira (3/12) o 1º Encontro das Equipes de Atenção Domiciliar do Estado. O evento reuniu mais de 200 profissionais no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre, além de participantes on-line.
A programação incluiu palestras com representantes do Ministério da Saúde, do Tribunal Regional Federal, da Procuradoria-Geral do Estado e de municípios que já oferecem o serviço. Como parte da troca de experiências, 12 equipes municipais apresentaram seus trabalhos por meio de painéis.
A atenção domiciliar é uma modalidade de cuidado especializado voltada a pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo em casa, evitando internações prolongadas e garantindo mais conforto no ambiente familiar. “A qualidade da assistência na atenção domiciliar tem esse papel de poder mudar a realidade, com um cuidado não só ao paciente num ambiente melhor, que é a sua casa, como também um cuidado com a família”, destacou a secretária adjunta da Saúde, Ana Costa, na abertura do encontro.
A consultora técnica do Ministério da Saúde, Denise Araújo, reforçou a importância da integração entre os entes federativos: “Nos reunirmos em encontros assim mostra a nossa potência. O que trazemos por parte do Ministério é que vocês podem contar conosco, pois precisamos entender o que se passa nos territórios para construir políticas públicas”.
Durante o encontro, também foram apresentados resultados de municípios que já atuam com o serviço. Em Guaíba, por exemplo, a equipe de Atenção Domiciliar do Hospital Regional Nelson Cornetet atendeu 2.625 pacientes em um ano, evitando 191 internações e liberando cerca de 600 dias de leitos hospitalares. “O processo de desospitalização começa na triagem dos pacientes internados, observando aqueles que têm potencial para continuarem a ser atendidos em casa, seguindo planos terapêuticos individualizados”, explicou o fisioterapeuta Edson Mota.
Incentivo estadual amplia equipes e atendimentos
Neste ano, com o lançamento do programa SUS Gaúcho, a SES criou um incentivo inédito para qualificar a atenção domiciliar. Até então, as equipes eram mantidas pelas prefeituras com cofinanciamento federal do programa Melhor em Casa. Agora, os municípios recebem um complemento financeiro de 20% a 50% sobre o valor repassado pelo Ministério da Saúde, garantindo mais estrutura e qualidade no atendimento. O Rio Grande do Sul é o segundo Estado do país a oferecer esse tipo de incentivo, ao lado de Minas Gerais.
Com a criação do incentivo estadual, em outubro, o número de equipes aumentou de 67 para 80, distribuídas em 43 municípios, sendo oito novas. A capacidade de atendimento passou de 2.475 para 2.725 pessoas por mês. O investimento mensal atual é de R$ 1,18 milhão, valor que deve crescer conforme novas adesões, já que a meta é criar 20 novas equipes.
Entre as novas equipes estão quatro especializadas em reabilitação, formato que antes não existia no RS. Cada uma realizará ao menos 50 atendimentos por mês. O número de usuários pode variar, pois uma pessoa pode necessitar mais de um atendimento no período.
Segundo Gabriela Nascimento, fisioterapeuta do Departamento de Gestão da Atenção Especializada da SES, a iniciativa está alinhada às prioridades do SUS Gaúcho, que prevê investimentos com foco em reduzir as principais filas de espera por consultas e cirurgias, melhorar o atendimento nos pronto-atendimentos, entre outras prioridades. “Dentro dessas áreas prioritárias, a atenção domiciliar casa muito bem, pois permite que muitos pacientes sejam desospitalizados e possam continuar o tratamento em suas casas, além de também ser importante para evitar que essas pessoas voltem a internar”, afirmou.
Benefícios da atenção domiciliar
O serviço é destinado a pessoas que, por limitações temporárias ou permanentes, não conseguem se deslocar até uma unidade de saúde. Entre os principais benefícios estão:
- Mais conforto e dignidade para pacientes e familiares;
- Redução de internações desnecessárias, liberando leitos hospitalares;
- Continuidade do cuidado após alta hospitalar;
- Visitas regulares de equipes multiprofissionais;
- Menor risco de infecções hospitalares;
- Melhoria na qualidade de vida e maior controle de condições crônicas.
O acesso ao serviço ocorre por encaminhamento da rede de atenção à saúde e atende perfis como pacientes pós-operatórios, pessoas com doenças crônicas, em cuidados paliativos ou que necessitam de medicação venosa e curativos complexos.
Municípios com equipes de Atenção Domiciliar e capacidade de usuários
- Bagé: uma equipe (50 usuários por mês)
- Bento Gonçalves: duas equipes (50 usuários por mês)
- Campo Bom: duas equipes (50 usuários por mês)
- Campos Borges: uma equipe (50 atendimentos de reabilitação mensais)
- Canela: uma equipe (50 usuários por mês)
- Capão da Canoa: uma equipe (50 usuários por mês)
- Capão do Leão: uma equipe (25 usuários por mês)
- Caxias do Sul: duas equipes (50 usuários por mês)
- Charqueadas: uma equipe (25 usuários por mês)
- Coxilha: uma equipe (50 atendimentos de reabilitação mensais)
- Dom Pedrito: uma equipe (50 usuários por mês)
- Espumoso (atende também Tapera): uma equipe (25 usuários por mês)
- Estância Velha: duas equipes (50 usuários por mês)
- Esteio: uma equipe (50 usuários por mês)
- Gramado: uma equipe (50 usuários por mês)
- Guaíba: duas equipes (50 usuários por mês)
- Guaporé: duas equipes (25 usuários por mês)
- Imbé: uma equipe (25 usuários por mês)
- Montenegro: duas equipes (50 usuários por mês)
- Nova Prata: duas equipes (25 usuários por mês)
- Nova Santa Rita: uma equipe (25 usuários por mês)
- Novo Hamburgo: três equipes (100 usuários por mês)
- Parobé: uma equipe (50 usuários por mês)
- Pelotas: seis equipes (200 usuários por mês)
- Pinheiro Machado (atende também Candiota): uma equipe (25 usuários por mês)
- Porto Alegre: 21 equipes (900 usuários por mês)
- Quaraí: uma equipe (25 usuários por mês)
- Rio Pardo: uma equipe (25 usuários por mês)
- Riozinho: uma equipe (50 atendimentos de reabilitação mensais)
- Santa Cruz do Sul: duas equipes (50 usuários por mês)
- Santa Rosa: uma equipe (50 usuários por mês)
- Santo Ângelo: uma equipe (50 usuários por mês)
- Santo Antônio da Patrulha: uma equipe (50 usuários por mês)
- São Borja: uma equipe (50 usuários por mês)
- São José do Norte: uma equipe (25 usuários por mês)
- São Leopoldo: uma equipe (50 usuários por mês)
- São Sebastião do Caí: uma equipe (25 usuários por mês)
- Sapucaia do Sul: uma equipe (50 usuários por mês)
- Taquara: uma equipe (50 usuários por mês)
- Tramandaí: uma equipe (50 usuários por mês)
- Venâncio Aires: uma equipe (50 usuários por mês)
- Viamão: duas equipes (50 usuários por mês)
- Xangri-Lá: uma equipe (50 atendimentos de reabilitação mensais)
Mais informações
- PORTARIA SES Nº 974/2025
Institui o Programa de Incentivo à Atenção Domiciliar, estabelecendo critérios para o repasse de recursos do Tesouro do Estado, em caráter temporário e excepcional, destinado às Equipes habilitadas pelo Ministério da Saúde, e ampliação do número de equipes com habilitação estadual e qualificar o atendimento aos usuários do SUS no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul.
- PORTARIA SES Nº 1172/2025
Habilita as equipes de Atenção Domiciliar ao recebimento do recurso do Programa de Incentivo à Atenção Domiciliar, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul, conforme o disposto pela Portaria SES nº 974/2025.
- PORTARIA SES Nº 1227/2025
Habilita equipes de Atenção Domiciliar ao recebimento do recurso do Programa de Incentivo à Atenção Domiciliar, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul, conforme o disposto pela Portaria SES nº 974/2025.
- Programa Melhor em Casa
Ministério da Saúde