Registro de casos de sarampo em outros estados e países reforçam alerta pela vacinação
Rio Grande do Sul não registra circulação da doença desde 2020
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A Secretaria Estadual da Saúde (SES) divulgou aos municípios nesta semana uma Nota Informativa alertando para a intensificação das ações de vigilância frente às ocorrências de sarampo em outros estados brasileiros e na região das Américas. No país, já foram identificados neste ano, até esta segunda-feira (31/03), dois casos no Rio de Janeiro (sem histórico de viagem ao exterior) e um no Distrito Federal (importado). A medida mais efetiva para a prevenção é a vacinação, ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a população de 12 meses a 59 anos, de acordo com as indicações do calendário de rotina.
O sarampo é uma doença infecciosa, especialmente grave em menores de cinco anos, imunodeprimidos e desnutridos. É extremamente contagiosa e causada por um vírus transmitido de pessoa para pessoa por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Os principais sinais e sintomas do sarampo são o aparecimento de manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre alta (acima de 38,5°C) acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse seca, irritação nos olhos (conjuntivite) e nariz escorrendo (coriza). A transmissão inicia seis dias antes do exantema e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo.
Casos no RS, Brasil e Américas
Os últimos casos ocorridos dentro do Rio Grande do Sul (sem histórico de viagem) foram registrados entre 2018 e 2020, com 185 confirmações no período. Em janeiro de 2024, o RS confirmou um caso importado de sarampo em criança três anos, sem vacinação prévia, procedente de país asiático e sem outros casos derivados.
Em 2025, até o dia 15 de março, foram confirmados nas Américas 507 casos: Argentina (11), Canadá (173), EUA (301, sendo dois óbitos), México (22) e Brasil (3). Isso representa um aumento de 5,5 vezes em comparação ao mesmo período em 2024.
Por isso, na última semana, a Organização Panamericana da Saúde (OPAS) publicou uma avaliação do risco relacionado ao sarampo, classificando a Região das Américas como de alto risco devido a persistência da circulação do vírus a partir de casos importados e não alcance da cobertura vacinal igual ou maior a 95% na maioria dos países da região, com consequente aumento da população suscetível.
No Brasil, em 2023 e 2024 não houve confirmação de casos endêmicos no país, fazendo com que em novembro do ano passado o país recebesse a recertificação da eliminação do vírus do sarampo. Esse status ainda permanece visto que a perda demanda uma transmissão sustentada por ao menos um ano.
Série histórica do sarampo no RS
2024: 1 caso importado
2021-2023: sem casos registrados
2020: 37 casos
2019: 101 casos
2018: 47 casos
2012-2017: sem casos registrados
2011: 8 casos
2010: 7 casos
Vacinação
Todas as pessoas com idade entre 12 meses e 59 anos têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação. São duas as vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
Esquemas vacinais
- Crianças de 12 meses a menores de cinco anos: primeira dose (D1) aos 12 meses com a tríplice viral e segunda dose (D2) aos 15 meses com a tetraviral (ou tríplice viral + varicela monovalente).
- Pessoas de cinco a 29 anos: duas doses da vacina tríplice viral
- Pessoas de 30 a 59 anos: uma dose de tríplice viral
- Trabalhadores da saúde: duas doses de tríplice viral
- A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. As gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto deverão receber a vacina no puerpério.
Meta de cobertura vacinal
A vacinação contra o sarampo para as crianças possui meta de vacinação de 95%, o que o Rio Grande do Sul chegou a alcançar para a primeira dose nos últimos dois anos, porém sem chegar no índice para a segunda dose.
Ano – Cobertura Tríplice Viral – D1 (%) / Cobertura Tríplice Viral ou Tetraviral – D2 (%)
2020 – 86,08 / 78,39
2021 – 79,88 / 56,03
2022 – 88,48 / 62,59
2023 – 95,96 / 70,26
2024 – 98,26 / 85,63
Intensificação das ações de vigilância
Aos municípios, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) recomenda o fortalecimento das ações de vigilância das doenças exantemáticas (sarampo e rubéola) e de sensibilização das equipes de saúde, frente ao aumento mundial da circulação do vírus do sarampo, com o iminente risco de reintrodução diante do fluxo de viajantes.
A busca ativa por casos suspeitos é uma estratégia essencial para a redução da chance de não captação de um caso de interesse, com coleta sistematizada das informações. Os serviços de saúde (hospitais, pronto atendimentos, unidades básicas de saúde, laboratórios) devem realizar a busca por pessoas com sinais e sintomas de sarampo ou rubéola, garantindo notificação oportuna.
A nota também destaca que pessoas podem ter apresentado sinais e sintomas, mas não terem sido identificadas e ou notificadas em momento oportuno. Por isso se deve pesquisar em fontes de informação como prontuários clínicos e fichas de atendimento em serviços de saúde, retrospectivamente.