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Na semana da doação de órgãos, Central de Transplantes estimula cultura doadora

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Jorge Neves agradeceu à família doadora que beneficiou a pequena Andressa com um fígado novo - Foto: Nanda Duarte

A programação da Central de Transplantes do Estado alusiva ao Dia Nacional da Doação de Órgãos iniciou com uma homenagem às famílias doadoras, realizada na quinta-feira (25) na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, e segue nessa sexta-feira com a realização do II Encontro sobre Doação de Órgãos e Tecidos, no Centro Administrativo do Estado."Toda vez que alguém se declara doador, essa pessoa está contribuindo para um futuro melhor para todos, inclusive para ela mesma. Isso porque a cultura doadora vai beneficiá-la caso ela também venha a precisar de um órgão um dia", defendeu a coordenadora da Central, Rosana Nothen, no encontro.

 

Voltado para profissionais das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), o evento discute, até às 17 horas, o panorama das doações e dos transplantes no Estado, as estratégias na condução da entrevista familiar, entre questões como a relação entre religião e a decisão por doar, além da atenção à família doadora.

 

Na abertura (foto abaixo), a secretária estadual da Saúde, Sandra Fagundes, dirigiu-se diretamente aos profissionais que atuam nesse processo: "Registro meu enorme respeito e admiração pelo trabalho de vocês, que se realiza em uma situação limite entre o tema da morte e a possibilidade da vida", afirmou. Ela destacou a sensibilidade, maturidade e segurança que as equipes têm de desenvolver para atuar nesse cenário.

 

Foto: Taiane Fagundes

 

A coordenadora da Central apresentou o panorama atual dos transplantes e descreveu o novo modelo de procura de órgãos proposto nacionalmente e que vem se desenvolvendo no Estado desde 2012. Trata-se da qualificação da interligação entre os hospitais e as OPOs, que contam, no Estado, com o incremento de uma equipe cirúrgica e outra de diagnóstico de morte encefálica, que atuam como suporte a instituições de todo o território gaúcho e evitam transferências desnecessárias de possíveis doadores.

 

Essas medidas são cofinanciadas pelo Governo do Estado, em contrapartida ao investimento federal em alta complexidade, como é o caso do processo de transplantes. Rosana lembrou que a Secretaria Estadual da Saúde (SES) também financia a formação de profissionais.

 

Diálogo familiar é fundamental

Na avaliação da coordenação da Central de Transplantes, as melhorias na estrutura dos serviços envolvidos no processo e a qualificação dos profissionais são importantes, mas a questão da doação de órgãos depende de um comprometimento da sociedade como um todo. Nesse sentido, a ampliação da efetivação das doações está diretamente relacionada ao aumento da adesão das famílias. No Estado,  entre janeiro e agosto de 2014, das 254 famílias de possíveis doadores que foram entrevistadas, 50,8% aceitaram a doação, enquanto 49,2% recusaram.

 

Das famílias que negaram a doação, 46,4% alegaram que o familiar não era doador em vida, o que leva a Central a acreditar que está faltando diálogo sobre o tema. "Se as pessoas se omitem de conversar, as famílias podem considerar a falta de manifestação como uma recusa", explicou Rosana.

 

Para a assistente social da comissão intra-hospitalar de doação de órgãos da Santa Casa de Porto Alegre, Adriane Barboza, a decisão sobre a doação envolve uma equação muito sensível. "De um lado, temos pessoas que estão precisando e, de outro, famílias que estão passando por um dos piores momentos de suas vidas, que é o diagnóstico de morte de uma pessoa querida". Por isso, a profissional, com experiência em entrevistas familiares, também indica o diálogo. "Uma família que conhece a vontade do familiar sobre isso pode tomar essa decisão com mais tranquilidade", afirmou durante a celebração que homenageou famílias doadoras na Catedral Metropolitana, na noite de quinta-feira (25).

 

Transplantados agradecem às famílias de doadores de órgãos

 

A atividade inter-religiosa que reuniu na Catedral famílias de pessoas beneficiadas por transplantes, famílias doadoras de órgãos, profissionais que atuam no processo e representantes do grupo de diálogo inter-religioso de Porto Alegre, deu início à programação da semana da doação da SES.

 

Foto: Nanda Duarte

 

Com trinta anos de idade e há 12 anos transplantado do coração, Filipe Rafael Nunes (foto acima) se disse muito grato pela oportunidade que lhe foi dada pela família doadora que o beneficiou. Ele decidiu entrar na área da Saúde para retribuir o gesto e hoje trabalha em uma Organização de Procura por Órgãos (OPO) na Capital. "Quero fazer pelos outros pelo menos um por cento do bem que fizeram para mim", declarou.

 

A pequena Andressa, de cinco anos, chamava atenção ao brincar entre os bancos da Catedral, um comportamento comum entre crianças da sua idade, mas que é uma novidade para ela, conforme relatou o seu pai, Jorge Neves (foto abaixo). "Minha filha está viva e saudável graças à bondade de alguém que decidiu ser doador e teve sua vontade respeitada pela família",agradeceu. Andressa ganhou um fígado novo.

 

Foto: Nanda Duarte

 

Representando as famílias doadoras, Rosemary Brandeburski deu um depoimento emocionado sobre o momento mais difícil da sua vida, quando recebeu o diagnóstico de morte encefálica de seu filho de apenas três anos. "Reunimos forças e pudemos beneficiar, com a  doação dos rins, uma menina de sete anos e um garoto de 12 anos, que agora podem viver sem hemodiálise", disse.

 

Os representantes das religiões católica, islâmica, espírita e de matriz africana incentivaram o ato da doação e foram unânimes ao interpretarem a ação, segundo as diversas doutrinas e referenciais religiosos, como um ato de amor e caridade.

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