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Hemocentro do Estado recebe novos equipamentos para ampliar armazenamento de plasma

Modernização poderá aumentar em até 50% o volume de plasma encaminhado para produção de medicamentos derivados do sangue

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Modernização poderá aumentar em até 50% o volume de plasma encaminhado para produção de medicamentos derivados do sangue
Modernização poderá aumentar em até 50% o volume de plasma encaminhado para produção de medicamentos derivados do sangue - Foto: Arthur Vargas/SES

O Hemocentro do Rio Grande do Sul (Hemorgs), vinculado à Secretaria da Saúde (SES), começou o processo de instalação dos novos equipamentos enviados pelo Ministério da Saúde para modernizar a estrutura de armazenamento de plasma – um dos componentes do sangue separado após a doação.

Com essa atualização, o Hemorgs poderá aumentar em até 50% o volume de plasma encaminhado à Hemobrás, empresa pública responsável pela produção de medicamentos derivados de sangue, como os utilizados no tratamento da hemofilia.

Em 2025, o Hemorgs enviou em média 613 bolsas de plasma por mês à Hemobrás. Com a modernização e a ampliação da capacidade de armazenamento, esse número pode crescer significativamente, beneficiando pacientes que dependem de medicamentos como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação.

No primeiro lote de equipamentos, o Hemorgs recebeu cinco freezers que atingem temperaturas de até -30°C, o que garante melhor conservação do plasma e oferece maior qualidade e segurança ao processo.

No segundo lote, o Hemorgs receberá um blast freezer, equipamento que realiza congelamento ultrarrápido, preservando proteínas sensíveis como os fatores de coagulação. Esse processo é essencial para manter a qualidade do plasma, prolongar sua vida útil e garantir que ele possa ser usado em tratamentos ou na produção de medicamentos.

Também está prevista a entrega de um freezer que chega a -80°C, ampliando ainda mais a capacidade de armazenamento. Somados, os sete equipamentos representam um investimento superior a R$ 1 milhão.

No primeiro lote de equipamentos, o Hemorgs recebeu cinco freezers que atingem temperaturas de até -30°C.
No primeiro lote de equipamentos, o Hemorgs recebeu cinco freezers que atingem temperaturas de até -30°C. - Foto: Arthur Vargas/SES

Outros equipamentos para o RS

Além do Hemorgs, os hemocentros regionais de Passo Fundo (Hemopasso) e de Pelotas (Hemopel), assim como o serviço de hemoderivados do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, também estão sendo contemplados com novos equipamentos. Ao todo, o Rio Grande do Sul receberá 20 aparelhos enviados pelo Ministério da Saúde, em um investimento que ultrapassa R$ 3,3 milhões, reforçando a capacidade de armazenamento e congelamento de plasma em todo o Estado.

Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul (Hemorgs)

  • Blast Freezer (uma unidade) - R$ 600 mil
  • Freezer -30°C (cinco unidades) - R$ 444,99 mil
  • Freezer -80°C (uma unidade) - R$ 114 mil

Hemocentro Regional de Passo Fundo (Hemopasso)

  • Blast Freezer (1 unidade) - R$ 600 mil
  • Freezer -30°C (3 unidades) - R$ 266,99 mil
  • Freezer -80°C (1 unidade) - R$ 114 mil

Hemocentro Regional de Pelotas (Hemopel)

  • Blast Freezer (1 unidade) - R$ 600 mil
  • Freezer -30°C (4 unidades) - R$ 355,99 mil
  • Freezer -80°C (1 unidade) - R$ 114 mil

Hospital Nossa Senhora da Conceição

  • Freezer -30°C (duas unidades) - R$ 177,99 mil

Modernização em todo o país

Os investimentos realizados no Rio Grande do Sul fazem parte de uma iniciativa nacional do Ministério da Saúde, que destinou R$ 100 milhões para modernizar a estrutura de armazenamento de plasma em todo o Brasil. Por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), estão sendo entregues 604 equipamentos de congelamento e armazenamento para 125 hemocentros e unidades de hemoterapia em 22 Estados.

A ação, coordenada em parceria com a Hemobrás, tem como objetivo aumentar em mais de 27% a quantidade de plasma coletado, podendo ultrapassar 300 mil litros. Esse avanço é essencial para aproveitar todo o plasma excedente das transfusões, fortalecer a produção nacional de medicamentos derivados de sangue e garantir a continuidade de tratamentos vitais oferecidos pelo Sistema Único de Saúde.

O que acontece com o sangue doado?

Em cada doação são coletados entre 400 ml e 450 ml de sangue. Após a coleta, o sangue passa por um processo que permite separar seus principais componentes, cada um com finalidade própria. Cada parte tem uma função específica e pode ser usada em diferentes tratamentos médicos.

Principais componentes do sangue e suas finalidades:

Hemácias (glóbulos vermelhos):

São responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo corpo.

  • Finalidade: utilizadas em transfusões para pacientes com anemia, cirurgias, situações de traumas e tratamentos de câncer.
  • Armazenamento: podem ser conservadas em temperatura refrigerada por até 42 dias.

Plaquetas

São células que ajudam na coagulação do sangue.

  • Finalidade: indicadas para pacientes com leucemia ou câncer, em tratamento quimioterápico e que têm baixa contagem de plaquetas.
  • Armazenamento: devem ser mantidas em agitação constante e têm validade de apenas cinco dias.

Plasma

É a parte líquida do sangue, composta principalmente por água, proteínas e sais minerais.

  • Finalidade: usado na produção de medicamentos como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação (essenciais para pacientes com hemofilia). Também é utilizado em transfusões para pacientes com queimaduras, choques e doenças hepáticas.
  • Armazenamento: precisa ser congelado rapidamente para preservar suas propriedades, especialmente os fatores de coagulação.

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São necessárias doações de todos os tipos de sangue - Foto: Alina Souza/SES-RS

Medicamentos produzidos a partir do plasma

O plasma é um insumo essencial para a produção de medicamentos hemoderivados, como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação. Os hemoderivados são indicados em tratamentos de queimaduras, cirurgias de grande porte, deficiências imunológicas e distúrbios de coagulação, garantindo o tratamento de milhares de pacientes em todo o país, incluindo pessoas com hemofilia e outras coagulopatias hereditárias.

Os medicamentos produzidos a partir do plasma pela Hemobrás, na fábrica localizada em Pernambuco, são:

Albumina: utilizada no tratamento de grandes queimados ou de pessoas com hemorragias graves, cirrose, insuficiência renal, septicemias, e ainda em transplantes de fígado e cirurgias cardíacas;

Imunoglobulina: usada principalmente em pessoas com doenças neurológicas, deficiências imunológicas, doenças autoimunes e infecciosas, Aids, púrpura, entre outras, além do transplante de medula óssea;

Fatores de coagulação VIII e IX: fundamentais no tratamento de pessoas com hemofilia, uma condição genética que afeta a capacidade do sangue de coagular corretamente. Existem dois tipos principais: hemofilia A (causada pela deficiência ou ausência do fator VIII da coagulação) e hemofilia B (deficiência ou ausência do fator IX). O tratamento com esses fatores ajuda a controlar os sangramentos e são usados de forma preventiva, para evitar que esses episódios ocorram. Ao repor o fator que está ausente ou deficiente no organismo, o tratamento permite que o sangue volte a coagular normalmente, protegendo a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.

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