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Com obras de pacientes e ex-pacientes do São Pedro, MEOC-HPSP se torna primeiro museu do RS com obras sobre arte e saúde mental

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A  imagem mostra o trabalho de um interno com mensagens escritas com tinta e mais o desenho de um sol e de uma flor.
As obras que hoje são parte do acervo dão voz a artistas que antes eram silenciados - Foto: Divulgação/ SES

Fundada em 1990, como um espac?o de reabilitac?a?o psicossocial, a Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro reuniu em pouco mais de 31 anos cerca de 200 mil obras de arte, produzidas por pacientes e ex-pacientes da instituição e pelo público vinculado à assistência de saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que participam das oficinas terapêuticas na instituição.

São pinturas, esculturas, modelagens, bordados em tecido, cerâmicas e textos e poesias e outras formas de expressão artística que passam agora a fazer parte oficialmente do mais novo museu de Porto Alegre. Decreto publicado na terça-feira (25) institui o Museu Estadual Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro (MOC HPSP), voltado para a salvaguarda, pesquisa, comunicação e preservação do acervo da Oficina.

“A principal motivação para termos o museu é salvaguardar estas obras, que são um patrimônio cultural do Estado”, explicou a diretora do Departamento de Coordenação dos Hospitais Estaduais, Suelen Arduin. “Dá visibilidade ao que temos guardado, dá voz a quem antes era silenciado”.

A imagem mostra uma parede com alguns trabalhos de pacientes e ex-pacientes. Também tem uma mesa com um aparelho de som.
O Museu é um dos quatro do país com coleções dedicadas a unir arte e saúde mental - Foto: Divulgação/ SES

Inspirada nos ensinamentos da psiquiatra Nise da Silveira, a Oficina surgiu nos anos 90 como espaço de convivência para os pacientes do hospital, fundado em 1884 e primeira instituição psiquiátrica de Porto Alegre. Tinha como princípio resgatar através da arte a experie?ncia subjetiva de cada participante. Hoje, além dos trabalhos produzidos nos ateliês, que integrarão o acervo museológico do Museu, conta com significativo acervo arquivístico e bibliográfico, que inclui teses, dissertações, livros, livros de registro, entrevistas, fotos, recortes de jornais, entre outros.

O trabalho foi contemplado em 2017 com o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O acervo também já foi exibido no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), Sesc Pompeia (SP) e Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).
Desde o ano 2000, o Hospital São Pedro mantém parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com apoio de professores, estagiários e bolsistas dos cursos de Artes e Museologia, que colaboram na curadoria e preservação do material.

Duas mulheres observam e mexem, através de um vidro, num trabalho artístico.
Estagiários e bolsistas da Ufrgs colaboram na curadoria e preservação do material - Foto: Divulgação/ SES

Com a oficialização, o Rio Grande do Sul passa a contar com um dos quatro principais museus do país com coleções que destacam a relação entre arte e saúde mental. No Rio de Janeiro, funcionam o Museu de Imagens do Inconsciente e o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea e, em São Paulo, o Museu de Arte Osório César.

“Os trabalhos servem de testemunho da presença dos frequentadores da Oficina. Pessoas tão espoliadas de tudo que nem pertences pessoais elas podiam guardar no antigo manicômio”, explicou a curadora do MOC, Barbara Neubarth, uma das fundadoras da Oficina. “A Oficina continuará funcionando, como sempre, mas se abre um novo capítulo na história do hospital”.

Por conta da pandemia, as visitas ao museu devem ser agendadas pelos telefones (51) 3240-1445 ou (51) 3240-1300 ramal 1445, de segunda a sexta-feira entre 9h e 12h.

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